Em dia internacional de luta pela saúde da mulher, é lançado o Ponto de Cultura Feminista

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Créditos: Luana Casagranda

Transformar o mundo transformando a si mesm@s. É esse o objetivo do Feminário que começou na noite de ontem (28/05), em Porto Alegre, com o lançamento do Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão, projeto de Coletivo Feminino Plural em parceria com outras entidades do estado. O evento aconteceu na Casa de Cultura Mario Quintana e oficializou as atividades que já vem sendo desenvolvidas há mais um ano pelo Ponto.

A noite começou com a performance “Aterro”, de Andressa Cantergiani, que trabalha o tema da desterritorializacão e perda da identidade cultural. O público foi convidado a participar através de uma proposição de, gentilmente, jogar a terra na artista. A performance culminou quando a terra acabou, com a performer sendo enterrada. Andressa integra o comitê gestor do Ponto, junto com a diretora de cinema Mirela Kruer, a artista Carolina Pommer, a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, a ONG Cirandar, a ONG Ilê Mulher, a Rede Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos e o grupo Inclusivass.

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“É hora de virar o jogo/ agora vamos se ligar/ agora olhe para frente/ erga a cabeça”

ponto 4Com essa rima, Malu Viana, a MC Flor do Gueto, da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, assumiu o microfone e deu início às falas da noite. Em seguida, foi a vez de Luisa Gabriela, coordenadora do Ponto de Cultura Feminista, dar as boas-vindas ao público. “É dia de transbordar barreiras da arte, da cultura, dos feminismos todos”, disse. Em um dos momentos mais marcantes, a artista tocou a música A Verdade, do Mestre Moraes. Acompanhando Luisa no berimbau, o público cantou junto e se emocionou com a letra.

Rose Castilhos, da Ilê Mulher, foi a próxima integrante do comitê gestor a se apresentar. “O corpo da mulher ainda é visto como um objeto. Estava mais do que na hora de termos um ponto de cultura que partisse do olhar feminino e saísse daqui do centro e fosse pra comunidade”. A ONG atua em defesa dos direitos humanos das mulheres.

A próxima a falar foi Roberta Mello, da ONG Cirandar, organização que acredita na literatura como forma de transformação social. “É uma grande emoção integrar o comitê gestor e contribuir pra discussão do corpo da mulher, que, na literatura, sempre foi uma representação muito masculina”, destacou.

ponto 8As mulheres integrantes do comitê gestor da Restinga, bairro onde vão ser realizadas as principais ações do Ponto de Cultura Feminista, também marcaram presença. Nathiely Souza leu um belo poema de Cristiane Sobral. Já Almerinda Lima convidou o público para o sarau que será realizado na comunidade, no dia 26 de junho, à tarde. “As mulheres da Restinga têm mais voz que os homens e trabalham muito mais que eles. O sarau vai bombar”, concluiu, recebendo muitos aplausos.

Coordenadora nacional da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, a Bgirl Ceia Santos lembrou que a Frente existe desde 2010 e que trabalha em prol da liberdade feminina. “Depois de 2012, tivemos um salto de mulheres no hip hop no Rio Grande do Sul”, comemorou.

A diretora de cinema Mirela Kruel destacou: “O dia de hoje é um embrião de uma pequena revolução, uma história muito bonita de força, de resistência”. Já a performer Andressa Cantergiani citou Simone de Beauvoir, afirmando que “ser mulher é uma construção, não importa o sexo, a raça, nada. O que importa é ser mulher”.

Télia Negrão, coordenadora geral do Coletivo Feminino Plural, destacou que o dia 28 de maio é o Dia Internacional da Saúde da Mulher e questionou o porquê de precisarmos de uma data que lembre a saúde das mulheres. “Nesse dia de luta, não podemos perder a capacidade de transformar e de desconstruir estereótipos. Essa troca que estamos fazendo é a transformação, estou transbordando de felicidade”. Nesse sentido, Luisa também lembrou da data, apontando que, no Brasil, o aborto ainda é criminalizado e que só a mulher é responsabilizada pelo ato.

ponto 10As mulheres do grupo Inclusivass também se manifestaram, emocionando o público em várias ocasiões. A coordenadora, Carol Santos, leu um poema de sua autoria. “Vivo a arte de me movimentar, de me superar”, declamou, enquanto a integrante Cristina Mazuhy, leu um poema de Guadalupe Nettel. Elas também lançaram a Carta das mulheres com deficiência do Rio Grande do Sul, material produzido a fim de orientar as mulheres sobre seus direitos.

Além da Carta, também foi lançado o almanaque Ah… então sou feminista, da Rede Feminista de Saúde. Clarice Castilhos, integrante da rede e veterana no ativismo feminista, relembrou a trajetória de militância e lamentou o fim da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres. Margareth Moraes, representante do Ministério da Cultura, e Leoveral Soares, diretor de Cidadania e Diversidade Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, também participaram do evento.

Entre abraços alegres, a noite se encerrou com mais um rap, feito pela Bgirl Ceia Santos e pela Mc Flor do Gueto.

Para o mês de junho, estão programadas mais mesas de debates e oficinais, dentro da programação do Feminário: transformar o mundo transformando a si mesm@as. Confira programação completa aqui.

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Performance de Andressa Cantergiani
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Performance de Andressa Cantergiani
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Luisa Gabriela
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Télia Negrão
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