Arquivo mensal: maio 2015

Em dia internacional de luta pela saúde da mulher, é lançado o Ponto de Cultura Feminista

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Créditos: Luana Casagranda

Transformar o mundo transformando a si mesm@s. É esse o objetivo do Feminário que começou na noite de ontem (28/05), em Porto Alegre, com o lançamento do Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão, projeto de Coletivo Feminino Plural em parceria com outras entidades do estado. O evento aconteceu na Casa de Cultura Mario Quintana e oficializou as atividades que já vem sendo desenvolvidas há mais um ano pelo Ponto.

A noite começou com a performance “Aterro”, de Andressa Cantergiani, que trabalha o tema da desterritorializacão e perda da identidade cultural. O público foi convidado a participar através de uma proposição de, gentilmente, jogar a terra na artista. A performance culminou quando a terra acabou, com a performer sendo enterrada. Andressa integra o comitê gestor do Ponto, junto com a diretora de cinema Mirela Kruer, a artista Carolina Pommer, a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, a ONG Cirandar, a ONG Ilê Mulher, a Rede Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos e o grupo Inclusivass.

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“É hora de virar o jogo/ agora vamos se ligar/ agora olhe para frente/ erga a cabeça”

ponto 4Com essa rima, Malu Viana, a MC Flor do Gueto, da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, assumiu o microfone e deu início às falas da noite. Em seguida, foi a vez de Luisa Gabriela, coordenadora do Ponto de Cultura Feminista, dar as boas-vindas ao público. “É dia de transbordar barreiras da arte, da cultura, dos feminismos todos”, disse. Em um dos momentos mais marcantes, a artista tocou a música A Verdade, do Mestre Moraes. Acompanhando Luisa no berimbau, o público cantou junto e se emocionou com a letra.

Rose Castilhos, da Ilê Mulher, foi a próxima integrante do comitê gestor a se apresentar. “O corpo da mulher ainda é visto como um objeto. Estava mais do que na hora de termos um ponto de cultura que partisse do olhar feminino e saísse daqui do centro e fosse pra comunidade”. A ONG atua em defesa dos direitos humanos das mulheres.

A próxima a falar foi Roberta Mello, da ONG Cirandar, organização que acredita na literatura como forma de transformação social. “É uma grande emoção integrar o comitê gestor e contribuir pra discussão do corpo da mulher, que, na literatura, sempre foi uma representação muito masculina”, destacou.

ponto 8As mulheres integrantes do comitê gestor da Restinga, bairro onde vão ser realizadas as principais ações do Ponto de Cultura Feminista, também marcaram presença. Nathiely Souza leu um belo poema de Cristiane Sobral. Já Almerinda Lima convidou o público para o sarau que será realizado na comunidade, no dia 26 de junho, à tarde. “As mulheres da Restinga têm mais voz que os homens e trabalham muito mais que eles. O sarau vai bombar”, concluiu, recebendo muitos aplausos.

Coordenadora nacional da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, a Bgirl Ceia Santos lembrou que a Frente existe desde 2010 e que trabalha em prol da liberdade feminina. “Depois de 2012, tivemos um salto de mulheres no hip hop no Rio Grande do Sul”, comemorou.

A diretora de cinema Mirela Kruel destacou: “O dia de hoje é um embrião de uma pequena revolução, uma história muito bonita de força, de resistência”. Já a performer Andressa Cantergiani citou Simone de Beauvoir, afirmando que “ser mulher é uma construção, não importa o sexo, a raça, nada. O que importa é ser mulher”.

Télia Negrão, coordenadora geral do Coletivo Feminino Plural, destacou que o dia 28 de maio é o Dia Internacional da Saúde da Mulher e questionou o porquê de precisarmos de uma data que lembre a saúde das mulheres. “Nesse dia de luta, não podemos perder a capacidade de transformar e de desconstruir estereótipos. Essa troca que estamos fazendo é a transformação, estou transbordando de felicidade”. Nesse sentido, Luisa também lembrou da data, apontando que, no Brasil, o aborto ainda é criminalizado e que só a mulher é responsabilizada pelo ato.

ponto 10As mulheres do grupo Inclusivass também se manifestaram, emocionando o público em várias ocasiões. A coordenadora, Carol Santos, leu um poema de sua autoria. “Vivo a arte de me movimentar, de me superar”, declamou, enquanto a integrante Cristina Mazuhy, leu um poema de Guadalupe Nettel. Elas também lançaram a Carta das mulheres com deficiência do Rio Grande do Sul, material produzido a fim de orientar as mulheres sobre seus direitos.

Além da Carta, também foi lançado o almanaque Ah… então sou feminista, da Rede Feminista de Saúde. Clarice Castilhos, integrante da rede e veterana no ativismo feminista, relembrou a trajetória de militância e lamentou o fim da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres. Margareth Moraes, representante do Ministério da Cultura, e Leoveral Soares, diretor de Cidadania e Diversidade Cultural da Secretaria Estadual de Cultura, também participaram do evento.

Entre abraços alegres, a noite se encerrou com mais um rap, feito pela Bgirl Ceia Santos e pela Mc Flor do Gueto.

Para o mês de junho, estão programadas mais mesas de debates e oficinais, dentro da programação do Feminário: transformar o mundo transformando a si mesm@as. Confira programação completa aqui.

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Performance de Andressa Cantergiani
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Performance de Andressa Cantergiani
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Luisa Gabriela
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Télia Negrão
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Feminário marca lançamento do Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão

No Dia Internacional de Ação pela Saúde da Mulher, 28 de maio, acontece em Porto Alegre o lançamento do Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão. O projeto, coordenado pela ONG Coletivo Feminino Plural, faz parte da Rede Nacional dos Pontos de Cultura e visa a integrar artistas e produtoras com forte presença cultural e inseridas em diferentes áreas de atuação. Além disso, quer promover ações de formação e difusão da arte e da cultura a partir de uma perspectiva feminista. O trabalho terá como foco inicial ações na comunidade da Restinga, com oficinas que abordam o corpo feminino como território de sentidos historicamente construídos, e atividades no centro da Capital em torno do Acervo Especializado e ações de ativismo digital. No lançamento, será aberto um “Feminário”, que marca o início das atividades de formação do Ponto.

No dia 28, a programação tem início às 18h30, na sala A2B2 da Casa de Cultura Mario Quintana (Rua dos Andradas, 736), com a performance “Aterro” da artista Andressa Cantergiani. A abertura contará com representantes do Ministério da Cultura e da Secretaria Estadual da Cultura RS, Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, ONG Cirandar, Ilê Mulher, Rede Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos e das artistas Carolina Pommer, Andressa Cantergiani e Mirela Kruel.  Nesta noite, serão lançados ainda o folder do grupo Inclusivass (organização de mulheres com deficiência) e o Almanaque “Ah…então sou feminista!” da Rede Feminista.

Além do lançamento do Ponto, também serão realizadas outras atividades ao final do mês de maio e durante o mês de junho, que integram o “Feminário Por uma cultura feminista: transformar o mundo transformando a si mesm@s”. No dia 10 de junho, às 19 horas, ocorre a mesa com tema “Corpo, autonomia e expressão numa perspectiva feminista”, tendo como convidadas Maria Luisa de Oliveira (Plataforma Brasil de Direitos Humanos), Rosmari Castilhos (Campanha por uma Convenção dos Direitos sexuais e Direitos Reprodutivos), Maria Fernanda Salaberry (Coletivo de Mulheres da UFRGS), André Muskopf (Escola Superior de Teologia) e Carol Santos (grupo Inclusivass de Mulheres com Deficiência), aberta ao público.

As oficinas tem vagas limitadas e as inscrições devem ser feitas pelo email  pontodeculturafeminista@gmail.com.

Confira a programação completa do Feminário Por uma cultura feminista: transformar o mundo transformando a si mesm@s:

28/05 – Lançamento do Ponto de Cultura feminista: arte, corpo e expressão
18h30 – Performance “Aterro” de Andressa Cantergiani
19h – Mesa de abertura e Lançamento do Projeto Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão – Lançamento da Carta das Mulheres com deficiência do Coletivo Inclusivass e Lançamento do Almanaque da Rede Feminista de Saúde e Direitos Sexuais e Reprodutivos.

30/05 – Oficina “Arte numa perspectiva feminista” (vagas limitadas)
10h às 12h – Taís Ritter Dias (educadora das artes visuais), Roberta Mello e Maria Fernanda Viegas (jornalista e educadora da ONG Cirandar)
14h às 17h – Malu Viana (MC e ativista da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop) e Andressa Cantergiani (atriz/performer)
Local: Sala A2B2, da Casa de Cultura Mario Quinta

10/06, 19h – Mesa “Corpo, autonomia e expressão numa perspectiva feminista” (aberto ao público)
Maria Luisa de Oliveira (Mestre em saúde Coletiva e integrante da Plataforma Brasil de Direitos Humanos/ONG Sempre Mulher)
Rose Castilhos (Campanha por uma Convenção dos Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos/Ilê Mulher)
Carol Santos (Coordenadora do Grupo Inclusivasde Mulheres com deficiência)
Maria Fernanda Geruntho Salaberry (Coletivo de Mulheres da UFRGS, Rede Relações Livres e Marcha das Vadias)
André Musskopf (Escola Superior de Teologia – EST)
Local: Sala A2B2, da Casa de Cultura Mario Quinta

13/06: Oficina “ Corpo, autonomia e expressão numa perspectiva feminista” (vagas limitadas)
10h às 12h: “O corpo numa perspectiva antropológica”, com Fernanda Tussi (antropóloga); “Corpo violado, violência e saúde mental”, com Carol Mombach (estudante de psicologia);
14h às 17h: “O corpo da dança”, com Ceia Santos (Bgirl), e “Corpo: do estético ao político a partir do uso de turbantes”, com Vanessa Silva – é necessário levar tecidos para fazer turbantes.
Local: Sala A2B2, da Casa de Cultura Mario Quinta

17/06, 19h – Oficina de trabalho com tema “Expressão” (vagas limitadas)
Perspectivas teóricas de vídeo com Mirela Kruel (diretora de cinema).

24/06, 19h – Oficina de trabalho com tema “Expressão” (vagas limitadas)
Oficina prática de vídeo (ministrante a confirmar)
Local: Sala A2B2, da Casa de Cultura Mario Quintana

O Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão

O Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão é um projeto coordenado pela ONG Coletivo Feminino Plural, de Porto Alegre, em parceria com outras entidades. Integra a Rede Nacional dos Pontos de Cultura e surge através do desejo de acionar o corpo, em especial o corpo das mulheres, como território de múltiplas possibilidades de expressão. Os direitos sexuais e reprodutivos são trazidos para a cena como vetores para questionar a secular tentativa de destituição da autonomia das mulheres de explorar o corpo na perspectiva de sua autodeterminação como sujeito.

O projeto originou-se do convênio entre o Governo do Estado do Rio Grande do Sul, por meio da Secretaria de Cultura do Estado, e o Ministério da Cultura, com a Lei Cultura Viva, contemplado no Edital 11/2012 da “Rede RS de Pontos de Cultura”. O Coletivo Feminino Plural, a Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop, a ONG Cirandar, a Associação Cultural Beneficente Ilê Mulher, a Rede Feminista de Saúde Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos, as atrizes/performers Andressa Cantergiani e Carolina Pommer, a diretora de cinema Mirela Kruel e o Grupo Inclusivass de mulheres com deficiência integram o Comitê Gestor do Projeto, que tem como linhas fundamentais a transversalização de gênero, raça e direitos humanos.

Orientado pela ideia de descentralização, o Ponto de Cultura Feminista: corpo, arte e expressão percorrerá lugares por onde as suas integrantes atuam e se articulam em parcerias, fomentando as expressões locais e compartilhando saberes, tendo como foco as meninas que moram no Bairro Restinga, em Porto Alegre. Transformar o mundo transformando a si mesmas é um dos fundamentos do feminismo e guiará essa trajetória.